EM TUDO, AMAR E SERVIR

EM TUDO, AMAR E SERVIR

Papai do céu não existe. Você talvez tenha pensado um dia quando viu algo ruim acontecer. Vovô morreu, o cachorro fugiu, mamãe viajou, o presente não veio, o mundo é mau, meu irmão não gosta de mim. A impressão é única: precisamos de um Deus mágico, herói de todas as causas impossíveis, capaz de exaltar os humildes, no caso, nós. No caso, eu. Deus que me serve, sacia, embriaga. Deus que só é Deus se me der sinais. "Se o Senhor existe mesmo, que essa luz pisque duas vezes agora". 

Até que veio. Sim, veio por completo e sem medidas. A experiência chegou. Aquele momento divisor de águas, o primeiro amor, a face revelada, os parênteses de céu. Veio o encontro com Cristo, real, único, em um evento da Igreja ou trancado sozinho no quarto. Um rasgar de véu e um pulsar diferente. Depois disso, nada fez mais sentido que o serviço: ajudar outras pessoas a viver uma experiência tão incrível quanto a que eu vivi.

Em tudo, amar e servir. Só que a gente esquece, Senhor. Todo dia, toda hora, a gente esquece. E volta de novo. Pra esquecer. E voltar. E esquecer. E seguir voltando. Nesse vai-e-vem de esforços e sentimentos meus, frente e firme está a Igreja. Alvo das minhas críticas e descrenças, das sugestões infundadas e heréticas que costumo esbravejar. Da minha fé pequena, frágil. Do meu pecado insistente. 

Os primeiros cristãos sofreram mais que eu. Os últimos também sofrerão. Mas se posso dizer algo nesse dia de rara lucidez, canto: não vim buscar o que podes me dar. Vim te adorar. Vim ficar de pé quando quebrarem as paredes da tua doutrina. Vim resistir. Vim chorar contigo e me alegrar pela força que ela tem. Vim esperar por quem não espera em ti. Vim ser Igreja.  Escuta, Jesus amigo, eu volto e sempre voltarei para dizer que sou fraco, mas em minha vida aprendi o que preciso fazer: em tudo, tudo, amar e servir.