SOBRE PERDOAR

SOBRE PERDOAR

Um dia alguém disse: o perdão é só uma invenção dos cristãos. Uma forma ocidental deles conseguirem encarar a angústia natural dessa vida. Interessante imaginar como alguém consegue combater a ideia de perdão, apenas estruturando um argumento com aparência de pertinente. Talvez por não suportar a visão de si mesmo em um lugar de "fraqueza". Afinal, perdoar também é se expor. É entregar algo de si. E no mundo onde a posse é lei, nada nos gera mais incômodo do que que abrir mão de nossa justicinha de estimação.

É possível que na sua situação concreta de mágoa, aí, nesse momento, você esteja plenamente correto. Alguém foi grosseiro com você. Mentiroso, traidor, falso. O seu posicionamento diante disso é justo, justíssimo. Mas ele é amoroso? Pois justiça sem amor é só uma mentira que a gente conta, repetidas vezes, para nosso ego.

Perdoar não é ser bobo, não é mergulhar em qualquer cenário abusivo. Não é esquecer. Não é colaborar com a cegueira da outra pessoa. Não é abrir mão de sua própria dignidade. Perdoar é, sobretudo, reconhecer que acumular o mal não é e nunca será frutífero.

Jesus estava certo, certíssimo. Mas foi para cruz. Não por ser bobo nem por querer colaborar com a cegueira de quem o crucificou. Sabemos, foi por amor. Enquanto não estivermos dispostos a amar como Ele, viveremos por aí, carregando nossos pesos sozinhos e fingindo que nosso orgulho é suficiente.