EVAPORA

EVAPORA

Há uma nuvem. Que nos fala sobre leveza e densidade de uma só vez. Figuras se dissolvem e renovam formatos diferentes, mas a natureza permanece a mesma. Vem de Deus, para Deus. Nuvem que comunga o alto com outras nuvens e faz pensar: não seria uma só?

 Das águas que sobem ao céu, um encontro. Algodão flutuante que se deixa conduzir pelo vento, sem cessar. É um espelho da Igreja. Compreende: somos um. Dispersos pelo mundo, mas reunidos na oferta que sobe. Em Cristo, um só corpo. Como nuvens, levados pelo sopro do Espírito Santo, inflamados pelo seu poderoso querer.

Da pesada nuvem, uma gota. Adianta-se em queda, líquida e pequena. Espalha-se no ar, entregando partículas às outras gotas, transformando-se inteira antes de chegar ao chão. A missão parece clara: deixar-se cair, reconhecendo a dimensão minúscula que possui diante do céu. No impacto inevitável, entende que a missão era maior. Tornar o chão fértil, lavar o que é sujo ou celebrar a sua forma ao encontrar o grande mar. Espelho de mim mesmo. Sou gota que deseja anunciar uma chuva maior. Brilhante, verdadeira, tempestade agraciada.

Na terra, acima e abaixo dela, dobrem-se os joelhos da humanidade. Criador, Redentor, Paráclito, em uma só pessoa, adorado seja. Sou gota que cai, mas que sabe do retorno ao céu, evaporando ideias e planos, abrindo espaço eterno à vontade de Deus.